conceitos estranhos

•April 16, 2011 • Leave a Comment

redes sociais, muito contato, não saber limites entre o mundo virtual e o mundo real.
vai mais longe.. esquecer que EXISTE um mundo real.

não hoje vou falar disso.
só vou deixar uma pequena indignação registrada aqui:
numa aba do facebook ou do orkut: “editar amigos”.

sério mesmo?

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nonsense

•March 31, 2011 • 2 Comments

ela nunca será do jeito que eu gostaria que ela fosse
talvez seja por isso que eu gosto tanto dela

[ the more i try to erase you, the more that you appear ]

cisne negro

•March 27, 2011 • Leave a Comment

Assisti, no início do mês, a um filme chamado Cisne Negro (2010 – Black Swan – Darren Aronofsky), que apresenta a história da bailarina Nina, prestes a estrear em “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky, num papel de contrastes entre a inocência e graça do Cisne Branco e a malícia e sensualidade do Cisne Negro.

Os caminhos e a forma do dizer são diversos e muito particulares de cada veiculação da arte, seja ela a música, a dança, teatro, a pintura, escultura ou qualquer outra manifestação. As vertentes da arte que se mantêm como refúgio e abrigo contra o que não é tão mutável são as que mais me aprazem. E entre essas não há uma que me atraia mais do que atrela o equilíbrio ao desequilíbrio, em que são são perceptíveis a briga constante dos artistas entre a realidade e a realização das obras, o contraste entre a vida e a busca da perfeição. Esse caminho em busca da arte final já traz, naturalmente, uma pitada de tristeza, de angústia. Fazem, portanto, parte desse todo.

Faz algum tempo que penso nisso.. a arte, em suas diversas formas, exige muito do artista. Não que seja condição sine qua non haver sofrimento. Acredito que seja a percepção da distância entre realidade e ficção um dos grandes motivadores dessa tristeza natural, dessa melancolia.

A sensibilidade dos artistas sempre foi percebida pela sociedade. Nem sempre devidamente valorizada, mas sempre presente. Não é fácil, portanto, mostrar-se em seu estado mais frágil ao trabalhar a arte. Somos treinados pra esconder nossos pontos fracos, nos mostrar eternamente fortes. A sugestão de emoção, dor, prazer e lágrimas como libertação não é comum. O sentimento é constantemente subjugado pelo restante, a sensibilidade é praticamente inexistente. Tanto o bom quanto o ruim passaram a ser parte insignificante de um massivo bloco sem sentido que muitas vezes é nossa vida.

Não acredito que essa seja a melhor representação da arte. A verdadeira arte exige percepção das próprias fraquezas e entrega. Necessário ser visceral e se despir em frente ao mundo. É se permitir ter defeitos, mostrar a imperfeição. Acredito que a verdadeira beleza não está na constância da perfeição. Não seria possível suportar tamanha intensidade de sentimentos à todo momento. O estar à flor da pele é exaustivo, um estado que exige sacrifícios. O oscilar traz mais momentos onde a graça de cada movimento pode ser percebida, ser sentida com mais contrastes e, claro, intensidade! Só existe felicidade porque há a tristeza, a noite porque há dia, a vida e morte. Dual, complementar.

É de se pensar esse desequilíbrio. Existe valor nessa angústia, nessa tanta entrega, tão ingrata e exigente, devastadora e que consome quantidades maiores e maiores de alma pura? Quem pode, no balanço desse vai-e-vem, dizer se coisa alguma valer a pena? Somente o artista pode sentir o quanto pode se doar, quão longe pode ir.. a arte pode falar ainda mais alto de modo que essa escolha saindo de controle. Ai de nós.

A grandeza e a beleza desse jogo de contrastes serão compreendidos por uns poucos. Muitos serão os que não poderão julgar olhando toda a cena por fora, tentando compreender um mundo ao qual eles não pertencem, alegando falsidade e até loucura. Não existe, a meu ver, coisa mais bela que isso. A existência da causa que te faça diferente, desesperado e em busca da internalização de um mundo diferente, contrastante aos valores distorcidos apresentados pelos braços estendidos de nossa sociedade insaciável.

Vejo nessa entrega uma aventura poética. Coragem é necessária pra ir contra a correnteza, romper as amarras e seguir um caminho solitário, encontrar nessa solidão temporária o porto seguro e o caminho pra continuar. Não são coisas fáceis, de maneira alguma.. fazer isso com a consciência de que existe motivação suficiente é, a meu ver, uma expressão de nobreza e grandeza sem tamanho.

Belas palavras finais do filme: “foi perfeito”. Uma perfeição pessoal, até visível aos outros, mas cuja beleza não pode ser comparada ao significado oculto percebido somente pelo artista.

O gritar pelo silenciar. A ansiedade pela calma final. O suportar a dor pelo êxtase da Arte.


Gustavo C Fernandes
12 a 27 de Março de 2011
Inspirado no filme “Cisne Negro”, de Darren Aronofsky

tarde de carnaval

•March 6, 2011 • Leave a Comment

eu suponho que tenha a ver com andar em ruas vazias de uma bela São Paulo sem pressa, sem ter pra onde ir.. simplesmente vagando por aí passei uma tarde meio mágica.. uma tarde que se encaixou em um dia atemporal. um pouco de frio e um pouco de pouca chuva completaram o quadro.

um sábado de carnaval de choro, alegria e reencontros. improváveis sensações que dizem tanto mesmo tão simples.

[ your voice has stolen my soul ]

chuva de ontem

•February 13, 2011 • 1 Comment

existe grande charme em um céu cinzento prestes a desabar. o prenúncio da chuva, os clarões atravessando as janelas dos ambientes não tão fechados e fotografias que nunca serão reveladas aos olhos curiosos.

ontem, fim de tarde, ruas desconhecidas sob meus pés. e muita água, água como em toda chuva. pra mim era diferente. era chuva nova, de noite e dia diferentes. chuva minha, pessoal. chuva de uma tarde que não será de mais ninguém.

Quadros do céu

•February 13, 2011 • Leave a Comment

Salto e some o espaço
Vejo e abraço o azul
Pleno céu de desejo
Deixando estrelas vejo liberdade e paz
Revelo cores em pássaros
Solto flores ao luar
Deito ao sol minguante
Desperta meu amor
Pra essa noite sem fim
Some o espaço de estrelas
Encontro solto o tempo
E traço um coração
Tomo o barco dos sonhos
Peço que me leve além do dia
Ao largo deste jardim de estrelas

–/

Gustavo C Fernandes

9 e 10 de Outubro de 2010

Inspirado em “O Sonho”, de Egberto Gismonti

Si Sustenido

•February 6, 2011 • Leave a Comment

Música tonal: existem 7 notas naturais, entre as quais [aprendi] a sétima dela se chama Si. Existem também acidentes musicais, bemóis e sustenidos que abaixam e aumentam, respectivamente, em um semi-tom o valor dessas notas.

O Si sustenido soa exatamente igual ao Dó, mas está harmonicamente longe de o ser. Oscila então entre o soar exato e o ser distinto. Visão e som pendendo em contradição e harmonia. Normalmente é assim.

Rabiscos sobre idéias, música, livros, sonhos e pensamentos absurdos..

G.